Documentário “Pisar Suavemente na Terra” reacende sensibilidade humana para defender a vida no planeta terra

Indígenas e povos originários da Panamazônia contam seus relatos de enfrentamento da destruição da natureza por séculos, pelo grande capital em consonância com governos neoliberais.

A apresentação especial do Documentário “Pisar Suavemente na Terra” exibida no auditório do Centro de Eventos Benedito Nunes no X Fórum Social Panamazônico, realizado em Belém, no período de 28 a 31 de julho, reacende a sensibilidade humana para a preservação da vida no planeta.

O filme com direção de Marcos Colón e roteiro do professor Bruno Malheiro, narra pela voz de seus protagonistas, os verdadeiros donos da terra e territórios, do Brasil, Peru e Colômbia, toda a agressão que a natureza vem sofrendo ao longo de séculos de atividades predatórias, desmatamento, garimpo e projetos de desenvolvimento econômico que visam a ocupação de terras.

Com a participação de Katia Silene Akrãtikatêjê, Mara Régia, Manoel Munduruku, José Manuyama e Ailton Krenak, atores no melhor sentido da palavra, que narram histórias de enfrentamento da barbárie da investida do capital contra os territórios em todos os cantos da Panamazônia e faz um alerta para os habitantes de que resta pouco tempo para se preservar a vida, antes do colapso total no planeta azul.

Os relatos contados por José Manuyama, carinhosamente chamado no filme de Pepe, indígena Kukama da Amazônia peruana, afirmam que os indígenas lidam permanentemente com a contaminação dos rios pelo garimpo e pelo petróleo. “Nosso coração chora e nos entristece em ver que na Amazônia a floresta dorme em pé e amanhece deitada” afirma o indígena, Manoel Munduruku.

O documentário surgiu da narrativa de Ailton Krenak, partindo da ideia de que a terra não precisa de mais desenvolvimento, ação esta que progride com a destruição do meio ambiente, produz guerras e mata gente. A saída seria construir a partir dos povos da Amazônia, uma nova história de preservação do planeta para adiar o fim do mundo. “Pisar suavemente na Terra é uma poética que veio de um lugar onde rios e paisagens estão assolados pela fome e miséria, projetadas pelo capitalismo”, diz Krenak.  

“Meu pai dizia pra mim: tu não podes morrer, tu tens que escapar, se quiserem matar, deixa matar teus irmãos, tu foges, pra ti contar a história” declara no filme, a cacica Katia Akrãntikatêgê, que relata ainda que na sua juventude quando habitava nas montanhas de Tucuruí, no Pará, viu sua família ser expulsa de suas terras por fazendeiros, mesmo com a brava resistência de seu pai Payaré.

Ao finalizar o documentário, os produtores foram ouvir a ancestralidade e nela encontram o que se pode chamar de: a saída para a preservação da terra. “O futuro é ancestral e a humanidade precisa aprender com ele a pisar suavemente na terra”, finaliza Ailton Krenak

A narração do filme foi feita pela radialista, Mara Régia e o documentário tem a duração de 72 minutos. “Esta exibição é apenas uma mostra do filme, ainda estamos na fase de finalização. A produção final deve ser lançada oficialmente no mês de novembro deste ano” disse o diretor, Marcos Colón. 

 

 

 

Escrito por: Valdecir Bittencourt

Revisão: Thaysa Santos

Foto: Nielton Trindade

Secretaria de Imprensa do Sindsep/AP